terça-feira, 30 de outubro de 2012

Um Luthieur, um mestre que cala.




            Meu luthieur é um cara pacato, papo curtíssimo, gruda no serviço e não ta nem aí com o mundo ao redor. A gente chega no atelieur e fica na sua cola para tirar umas sílabas do gogó do sujeito. Não nos enganemos com gente calada!! O Galeguinho é mestre no que faz, mas, em matéria de falar, não conte com o "cabra".
            Quando encomendei meu violão de trabalho, não tinha a menor noção de que estaria paralelamente me submetendo a um período de aprendizado. Acompanhei o nascimento do meu instrumento desde a escolha da madeira até a colocação dos captadores. Todo dia era uma aula diferente, mesmo em face de tanto silêncio.  Assim como a verbalização nos remete a comunicação, o calar pode sinalizar em dobro o que se pretende dizer. Não foi fácil "captar" o recado. Não me dava conta do poder que há no intervalo entre sons. Não estou falando do gesto. Refiro-me ao simples fato de inspirar os outros a  proferir na hora certa o que você gostaria ouvir e o conteúdo servir de resposta.
            Um belo dia, fui todo alegre buscar meu violão, já pronto, testado e polido. Vi que provavelmente não frenquentaria com a mesma medida anterior do decorrer da montagem. Resolvi questionar o motivo de tão poucas chances de papo entre a gente....... o nosso grande luthieur Galeguinho me disse, curto e grosso:
_ Se eu falo, perco a chance de saber o que efefetivamente as pessoas querem de mim, vai na conta , meu trabalho bom, a minha simpatia e meu coração. Calei, e continuo indo ao atelieur duas ou mais vezes por semana.

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